BRONCA SANDUICHE

Quem não erra? Quem faz tudo perfeito? Quem não está sujeito a errar?

Eu mesmo já errei muito e, graças a Deus, aprendi com os meus erros e, hoje, sou o que sou por ter tido a oportunidade de aprender com tudo o que eu errei, continuo me considerando um eterno aprendiz da vida.

O problema é: quando estamos na posição de líder, qualquer que seja a sua função, temos que ter em mente que dar uma “bronca” em um colaborador é difícil e, isto, acaba ocorrendo por temos amizade, as vezes pela consideração, as vezes pelo tempo de casa do mesmo, as vezes porque é um parente, e vários outros motivos.

Nenhuma “bronca” é sem justificativa, nenhuma “bronca” é sem motivo ou razão.

São vários os motivos de um erro:

– Falta de atenção (principalmente)

– Falta de conhecimento

– Falta de treinamento ou capacitação

– Falta de experiência

– Falta de competência

– Falta de comprometimento ou responsabilidade

E por ai vai, isso quando não são dois ou três motivos de uma só vez, que se agrupam entre si.

No final das contas quando damos uma “bronca”, normalmente, existe um desgaste entre as duas partes, mesmo que a mesma tenha sido justa. O colaborador, na maioria das vezes, fica magoado ou chateado, não porque errou mas porque levou a bronca. O Líder fica chateado pois confiou no trabalho do colaborador e não houve o retorno que esperava.

Em 1977, com apenas 22 anos, trabalhava como Gerente Administrativo e Financeiro em uma multinacional italiana, o Diretor me chamou na sala dele e disse: Wilson, como é que voce, sendo um profissional experiente, teve a capacidade de errar neste planejamento. Em razão disto teremos que solicitar recursos não previstos para a nossa matriz (na Itália) e este tipo de erro não pode acontecer pois compromete todo o planejamento das duas empresas. Espero que voce passe a se dedicar mais e melhor no desempenho da sua função pois acreditamos que voce tem potencial para fazer mais do que isso, confiamos no seu trabalho e eu gostaria de saber se podemos contar com a sua colaboração?  É lógico que eu disse que sim e continuei o meu trabalho com mais dedicação, comprometimento, responsabilidade e não errei mais.

Embora a “bronca” tenha sido parcialmente justa (pois o erro foi causado por um fator externo à empresa e sem uma possível previsão) eu aceitei pois era de minha responsabilidade “imaginar” (ou prever) que isso poderia acontecer.

Mas, no final das contas, o que levei em consideração foi a forma da “bronca”, a maneira como foi colocada. Até então quando ia dar uma bronca para algum colaborador ia direto ao assunto e realmente dava uma bronca, não agia como agiu o meu Diretor. Achei muito interessante a forma como fui chamado a atenção e, após pensar muito, resolvi acrescentar mais alguma coisa na “fórmula da bronca” e acabei chegando a um conceito que, desde então, chamo de “Bronca Sanduíche”, que é a forma que idealizei para que eu mesmo levasse essa bronca no futuro.

Aprendi, com o tempo, que sempre que eu aplicava a mesma, em meus colaboradores, não havia mais mágoa e nem ficavam chateados após a mesma.

Lógico que, todos sabemos, que para dar uma bronca ou chamar a atenção para determinado erro temos que fazer isso em um local próprio, uma sala fechada, sem que outros tenham a possibilidade de escutar o que está sendo dito, para que a situação não fique ainda pior, o ambiente mais pesado e todos fiquem comentando, posteriormente, que tal pessoa levou a maior bronca do chefe.

Sabemos, também, que não podemos GRITAR ou FALAR ALTO ou HUMILHAR o colaborador, seja quem for, a EDUCAÇÃO, por mais que estejamos nervosos ou chateados, tem que ser prioritária nesta hora. Eu até sugiro que quando isso ocorrer deixe passar um tempo, respire fundo, repita esta operação quantas vezes forem necessárias, para que possa dar essa “bronca” de forma educada e tranquila, caso contrário não surtirá o efeito que deseja.

Outro fator fundamental nesta hora é ter CERTEZA ABSOLUTA que o erro foi da pessoa que está responsabilizada por isso, caso contrário voce estará sendo muito injusto. Se for possível procure saber o MOTIVO REAL do erro, tal como exemplos acima, para que possa, com propriedade, conversar e dar a “bronca” de forma adequada.

Bom, a “FÓRMULA” da “BRONCA SANDUÍCHE” é a seguinte:

– Chame o seu colaborador em uma sala, pode ser a sua mesmo se esta for fechada e diga:

  1. Sr. X (ou o nome da pessoa, simplesmente), sente-se por favor.
  2. Voce está na empresa há x tempo, exerce com muita propriedade as suas funções, gostamos (ou gosto) muito do seu trabalho, suas características profissionais são ótimas, seu trabalho é excelente e serve até de exemplo para outros, quando precisamos voce está sempre disponível, colabora com a equipe, é líder no setor que trabalha e está sempre pronto a ajudar a todos, é pró-ativo e tem várias outras qualidades e dons que admiramos em voce.

Obs: Acentue e deixe claro as boas características do colaborador, suas qualidades e seus dons.

  • Tendo isso como base não compreendemos como é que voce conseguiu errar desta maneira no trabalho que estava fazendo, confiamos plenamente na sua capacidade e, ainda assim, voce pisou na “caixa de tomate”, errou feio, causou prejuízo a sua equipe, a empresa e ao cliente, como é que vamos justificar isso? Quem é que vai pagar por este prejuízo? Como é que vamos resolver este problema criado por voce? Isso não se faz! É um absurdo pois voce tem conhecimento para realizar tal serviço.

Obs: Neste item voce pode utilizar qualquer das opções acima para descrever no que o seu colaborador errou e utilizar as terminologias que desejar, são somente exemplos que servem para chamar a atenção para o ERRO em si.

  • Nós temos certeza que voce errou por ….. (aqui voce pode descrever ao colaborador o possível motivo do mesmo ter errado, conforme opções mencionadas acima – falta de atenção, conhecimento, etc….) e para que isso não aconteça mais gostaríamos que voce… (dedique-se mais, que aprendesse como se faz corretamente, que treinasse mais este serviço, que estude mais, que entenda melhor, etc….) . Fique sabendo que nós temos plena confiança no seu trabalho e na sua responsabilidade, sabemos do seu comprometimento com a equipe e com os resultados da empresa. Temos certeza que isso não vai mais ocorrer pois voce vai aproveitar esse erro para aprender mais, dar maior retorno para a empresa, compensar esse prejuízo com um bom trabalho, com mais afinco e dedicação. Nós temos certeza que fizemos uma excelente contratação quando veio trabalhar conosco, fazer parte do nosso time, da nossa equipe. Sei que não vai mais acontecer isso e gostaria de saber se podemos continuar contando com o seu desenvolvimento e sua colaboração neste sentido?

Obs: Acentue novamente as boas características do seu colaborador.

É lógico que o seu colaborador vai dizer sim, salvo raríssimos casos.

Resumindo a “bronca sanduíche”: voce elogia, dá a bronca e elogia novamente.

Simples assim.

Tenho ensinado esta forma de dar bronca para milhares de pessoas e empresas nestes últimos 41 anos.

Serviu e serve muito para mim e para outras milhares de pessoas que também adotaram essa formula na hora de chamar a atenção.

Não sei se voce mesmo já ouviu falar desta fórmula que criei, ainda muito jovem, mas com muita responsabilidade na época e, nem mesmo, se já a utiliza. De qualquer forma espero que aproveite esta dica, esta sugestão, e passe a dar “broncas” desta maneira pois não ofende quem está recebendo e, até mesmo, não magoa.

O sentimento normal, de quem recebe, é de, até, um certo alívio pela maneira como foi dada.  O colaborador, via de regra, sente-se mais motivado a não errar mais, a fazer tudo com mais atenção e mais responsabilidade pois sabe que confiam no seu trabalho e não pode, de forma alguma, dar prejuízo para a empresa, para a equipe e para o cliente.

Atualmente, em palestras específicas que ministro por este Brasilzão, tenho levado a “bronca sanduíche” comigo e, posso afirmar a todos, tem feito muito sucesso entre empresário e colaboradores, ambos ficam muito contentes com esta forma.

Espero que voce aproveite esta dica, essa sugestão e passe para outros, não me importo com o crédito da “invenção” pois sei que outros, talvez, já tenham inventado algo similar ou adaptado melhor a minha fórmula. O importante é que todos, empresários e colaboradores, estejam satisfeitos, felizes e continuem progredindo juntos para o bem maior: nosso cliente.

Fraternal abraço a todos.

Wilson Giglio

Organizador de Empresas e de Pessoas

Consultor em Gestão Empresarial e Palestrante

Skype: wilson.giglio1

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